
Quando uma partida de futebol decisiva está caminhando para o seu final, é comum que os jogadores do time em desvantagem se exaltem e partam para a baixaria. Um chute na canela aqui, um carrinho maldoso ali, uma cotovelada na cara acolá e xingamentos à vontade. Isso aumenta ainda mais na segunda metade do segundo tempo. Os jogadores ficam mais ousados e já não se preocupam se serão expulsos ou não.
No futebol, isso é o anti-jogo, são atitudes anti-desportivas. Pessoas desesperadas partem para o ataque e esquecem que existe um público assistindo e que até vinha torcendo. Abrem mão de escrúpulos, esquecendo-se de todas as regras do jogo.
Se isso acontece no futebol, imagine na política e principalmente nas eleições... O que assistimos nos últimos dias só pode ser considerado como baixaria de campanha. As questões relevantes deveriam ser: as reformas da Previdência, tributária e política; a erradicação da pobreza e do analfabetismo; a melhoria dos serviços de saúde; a garantia de uma educação gratuita e de qualidade; ampliação do programa Minha Casa Minha Vida, das bolsas do ProUni (universidade gratuita para os mais pobres); geração de renda e trabalho por meio do PAC 2; o desenvolvimento de uma economia sustentável, que respeite o meio ambiente e possibilite uma melhor qualidade de vida para todos.
Ufa! São tantas as questões importantes para se debater. Mas, os tucanos e seus asseclas alimentam a mídia para debaterem uma questão irrelevante como o aborto (ou melhor, a descriminalização da prática do aborto).
Ora, além desse tema não pertencer a nenhum programa de governo, todos sabem que, no Brasil, a interrupção da gravidez só é permitida em duas situações: como resultado de estupro ou quando coloca em risco a vida da mãe.
Debater temas polêmicos como aborto, pena de morte ou casamento gay é irrelevante em uma disputa presidencial, pois não são administrativos. A intenção clara é jogar baixo, tentando desqualificar o adversário. E pior: isso só acontece no finalzinho do segundo tempo, com o jogo praticamente definido.
Todo amante do futebol e da política, não deveria deixar a festa da democracia virar um jogo catimbado e feio. No dia 31, vencerá o candidato que tiver as melhores propostas e mostrar o que de fato já fez de bom pelo País.
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
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