É fácil de entender porque os meios de comunicação (telejornais, jornais e revistas impressos, rádios e internet) fazem coro para atacarem, direta ou indiretamente, a candidata do presidente Lula. Esses meios de comunicação estão concentrados nas mãos de grupos que detêm praticamente um monopólio das comunicações e têm posição política, ideológica, além de interesses econômicos, é claro.
Quando se ataca um candidato, outro é favorecido. A intenção é forçar um segundo turno às vésperas das eleições em que as pesquisas apontam a vitória da candidata governista já no primeiro turno. É por isso que estamos revivendo nesses últimos dias – e isso deverá piorar até o dia 3 de outubro – o que ocorreu em 2006. Para quem não se lembra, Lula, então candidato à reeleição, tinha tudo para vencer no primeiro turno, mas após uma saraivada de denúncias que, mesmo sem provas, levaram a disputa a um segundo turno.
Só para entendermos um pouco melhor a relação de mídia e política basta analisarmos os dados do site “Donos da mídia” (http://donosdamidia.com.br), que mostra como existe no Brasil, um Sistema Central de Mídia estruturado a partir das redes nacionais de televisão, verdadeiros conglomerados que lideram as cinco maiores redes privadas: Globo, Band, SBT, Record e Rede TV! Segundo o site: “Elas controlam, direta e indiretamente, os principais veículos de comunicação no País. Este controle não se dá totalmente de forma explícita ou ilegal. Entretanto, se constituiu e se sustenta contrariando os princípios de qualquer sociedade democrática, que tem no pluralismo das fontes de informação um de seus pilares fundamentais”.
Hoje há 34 redes de TV no Brasil com 1.511 veículos ligados e essas redes e a seus respectivos grupos afiliados. Por exemplo, a Rede Globo (controlada pelas Organizações Globo) é a maior rede de televisão em operação no Brasil. São 35 grupos que controlam, ao todo, 340 veículos. E sua influência é forte não apenas sobre o setor de TV. A relação com empresas em todos os estados permite que o conteúdo gerado pelos 69 veículos próprios do grupo carioca seja distribuído por um sistema que inclui outros 33 jornais, 52 rádios AM, 76 FMs, 11 OCs (Ondas Curtas), 105 emissoras de TV, 27 revistas, 17 canais e 9 operadoras de TV paga.
Alguns dos maiores grupos de mídia são Abril (ligado à MTV, com 83 veículos de mídia e 7 afiliados), Band (ligado à Band, com 166 veículos e 22 afiliados), IURD (ligado à Record, com 142 veículos e 30 afiliados) e SBC (ligado ao SBT, com 195 veículos e 37 afiliados).
Os grupos afiliados e a retransmissoras reproduzem o material informativo central. Veículos como rádios, jornais, revistas e sites se alimentam e alimentam os mesmos assuntos de suas “parceiras”. Se a tendência é atacar, mesmo sem provas, com acusações que visam simplesmente desmoralizar pessoas ou partidos e prejudicar seu desempenho eleitoral, então os brasileiros ficam à mercê de um grande golpe midiático. Nesse perigoso e antidemocrático jogo de interesses, a vítima é o eleitor, que sob uma carga de informações que se travestem de “a verdade dos fatos”, é induzido a mudar o seu voto.
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário