sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia de professor

O pior sentimento que um professor pode ter é desejar que não haja alunos para dar aula. O pior sentimento que um aluno pode ter é desejar que o professor não passe lição. Se juntarmos esses dois sentimentos, teremos os piores ingredientes para fazer um bolo de sentimentos antagônicos, porém complementares.

Mas o que leva um professor a não querer dar aula? E não vale aquela tradicional resposta patronal: “Não está contente? Mude de profissão!”, pois não resolve a falta de professores, principalmente na área de exatas. E o que leva um aluno a não querer aprender? As aulas são chatas? Os professores estão desanimados? A escola é opressora? Qual é a verdadeira motivação de um aluno?

É difícil achar respostas ou soluções para isso. Mas creio que uma delas é o governo estadual aumentar o salário real dos professores. Sabemos que isto é impossível em um governo tucano. Já foram 16 anos com Covas, Alckmin e Serra. E agora temos mais 4 anos com Alckmin, graças à população incauta e a colegas professores que gostam de sofrer. Então, a única forma de aumentar os salários é pressionar o governo por meio de atos públicos, abaixo-assinados, mobilização da comunidade e até greve.

Mais uma vez, o Dia do Professor, 15 de outubro, oferece poucos motivos para se comemorar. Principalmente em São Paulo, que paga o 14º pior salário do Brasil: R$ 1.844, por 40 horas semanais, para iniciante de carreira e já somadas as gratificações. São Paulo perde para o Distrito Federal que paga R$ 3.227,87 e Alagoas, R$ 2.030,00, entre outros estados (, acessado em 15/10/2010).

Se compararmos com outras profissões, vemos que há menos motivos ainda para comemorar. Médicos e administradores, por exemplo, estão no topo da lista de profissões mais bem pagas do Brasil. É o que mostra o estudo “O Retorno da Educação no Mercado de Trabalho”, divulgado em janeiro deste ano, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Nessa pesquisa, médicos com mestrado ou doutorado se formam com 93% de probabilidade de serem empregados com um salário médio de R$ 8.966. Já os médicos com graduação (apenas o curso de Medicina) têm um salário de R$ 6.705. O salário de engenheiros com graduação é R$ 6.141,05; de geólogo, R$ 5.284,77; de militar, R$ 5.039,14; de formados em Direito, R$ 4.649,63; de publicitário, 4.199,05; de arquiteto, de R$ 3.835,08; de veterinário, R$ 3.758,94; de químico, R$ 3.516,52; de farmacêutico, 3.381,98; de formado em Ciências da Computação, R$ 3.325,40; e de outros formados em ciências humanas e sociais, R$ 3.099,10. Conferir lista completa em http://www.itaporanga.net/capa/modules/news/article.php?storyid=1872, acessado em 15/10/2010.

O fato concreto é que a profissão de professor está desvalorizada e o principal responsável por isso é o governo tucano e sua política educacional de promoção automática, meritocracia, burocratização das relações entre professor e gestores, redução de direitos e falta de diálogo e respeito às entidades representativas dos educadores.

O único conforto que existe é que por mais que o governo maltrate os professores, há algo que ele não pode tirar ou mudar: o conhecimento adquirido na vida, na faculdade e na sala de aula.

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

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