sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bullying

Bullying é um termo inglês que serve para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully = “tiranete” ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender. Segundo Dan Olweus, cientista sueco, o bullying pode ser definido em três termos essenciais: 1) o comportamento é agressivo e negativo; 2) o comportamento é executado repetidamente; 3) o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Também divide-se em duas categorias: bullying direto e bullying indireto (ou agressão social). O primeiro é mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. Já a agressão social é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e criancinhas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social, incluindo: espalhar comentários; recusar socializar-se com a vítima; intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima; e criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (etnia, religião, deficiências, entre outros).

O termo bullying se tornou de uso corrente nos últimos anos, servindo para nomear aquilo que chamamos de “agressão” ou “assédio”. Ou seja, é um nome novo para algo velho. Mas parece que agora soa mais “chic” porque é estrangeiro (na falta de um termo mais adequado manuseamos o “mouse” por horas diante do computador, sendo que, na verdade, estamos manuseando o “rato” ou “camundongo”).

Mas pouco importa o significado do termo se ele não for compreendido pelas crianças e jovens. Afinal, cenas de violência não precisam de tradução. A violência e o desrespeito possuem um idioma próprio e universal. Basta assistirmos à TV (ou navegarmos pela internet) para vermos desde desenhos animados até programas sensacinalistas, como pseudo-telejornais com repetições exaustivas de tiroteios, assaltos, brigas, trocas de acusações etc.

Com tanto sangue e discórdia à disposição, somado às telenovelas e filmes, com temática que envolve todo tipo de violência, o bullying se torna mais concreto e presente do que imaginamos. Por que uma criança acharia estranho ofender seu colega e depois partir para a agressão física se ele tem vários exemplos a seguir e que lhe parecem tão familiares? Que moral terão os pais ou professores para dizer o que é certo ou errado se os meios de comunicação alimentam a sociedade e a sociedade se alimenta (num círculo vicioso) dos meios de comunicação?
A
saída, creio, passa pelo constante diálogo entre pais e filhos, professores e alunos, e a conscientização da sociedade, como parte do processo educativo de crianças e jovens, para que estas aprendam a valorizar a amizade, a respeitar as diferenças, a conviver em grupo, sendo colaborativas e propondo solução para os problemas do dia a dia. Precisamos ser o porto seguro dessas pessoas principalmente nessa fase de transição do mundo infantil para o mundo adulto. E apontar o caminho que os leve à justiça e à bondade. Façamos a nossa parte.

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

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