Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
(Rosa de Hiroxima, de Vinicius de Moraes)
Em 6 de agosto de 1945, os EUA lançavam uma bomba atômica sobre Hiroxima (Japão), matando 140 mil pessoas. Três dias depois, foi a vez de Nagasaki, com cerca de 80 mil mortes. O ataque norte-americano pode ter colocado um fim à II Guerra Mundial, mas deixou marcas profundas de destruição e morte de civis, além do questionamento sobre a real necessidade do uso dessas bombas.
Muitos membros do próprio governo dos EUA e oficiais de alta patente criticaram tais ataques, pois tudo indicava que o Japão se renderia em algumas semanas. A Alemanha, líder do Eixo, já havia se rendido em 8 de maio, após a invasão do Exército Vermelho.
Assim, o ataque norte-americano, além de demonstrar todo o seu poderio militar aos inimigos, também serviu para destruir cidades industriais, matando a concorrência econômica com o Japão no pós-guerra, e evitar o fortalecimento da União Soviética, que avançava sobre a China ocupada pelos japoneses.
Enfim, o governo dos EUA tinha plena consciência do poder de destruição da bomba atômica, pois já a testara no dia 16 de julho de 1945, em Los Alamos, no Novo México, e mesmo assim decidiu usá-la.
Passados 65 anos desses fatos, penso que o terrorismo de estado, como o praticado pelos Estados Unidos contra o Japão, é tão deplorável quanto o terrorismo de grupos, como Al Qaeda ou ETA, pois não distinguem civis de militares. Quando os fins justificam os meios, perde-se o que é essencial ao ser humano: a razão. Nesse sentido, as sucessivas invasões dos Estados Unidos nas últimas décadas têm servido apenas para mostrar ao mundo que ainda existe um “xerife” ou um suposto “dono”. E que, infelizmente, a estupidez humana ainda deverá perdurar ao longo desse século.
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
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