sábado, 21 de agosto de 2010

Avatar e a educação inclusiva


Estreia nessa semana o filme “O último mestre do ar”, do diretor M. Night Shymalan (o mesmo de “O sexto sentido”). É uma história baseada na série animada da televisão “Avatar – o último dobrador de ar”, exibida em 2005 no Brasil, na TV Globinho, que narra a saga de um menino de 12 anos, que precisa aprender a dominar todos os quatro elementos da natureza (ar, água, terra e fogo) para estabelecer a paz no seu mundo.

O jovem Avatar é especial, não só pelos dons que carrega (pois em cada nação, existem pessoas que dominam tais elementos), mas por ser o último de sua tribo de manipuladores de ar. Sua missão passa, necessariamente, pela sua iniciação, momento de aprendizagem, de integração com as pessoas que o cercam. E assim ele parte em uma aventura que mescla batalhas colossais e momentos de descontração como qualquer outra criança merece ter. Cativa e é cativado por seus companheiros e vai aprendendo o verdadeiro significado da amizade.

Confesso que o aspecto que destaquei aqui do desenho é bem sutil, tendo em vista a narrativa estar repleta de embates com seres fantásticos, de ar contra água, terra contra fogo e demais combinações possíveis (além dos efeitos especiais e da tecnologia 3D). Mas também supõe que o menino, por ser especial, precisa de cuidados especiais. O poder que ele carrega é imenso, e seus colegas se tornam fundamentais para balizarem a sua utilização. O menino passa a compreender o mundo a partir dessas relações.

Nesse ponto, os nossos pequenos avatares, crianças especiais de nosso mundo real, também devem enfrentar uma situação nova. A partir do Decreto-Lei 3/2008, as crianças portadoras de necessidades especiais devem ser incluídas nas escolas regulares. Saindo do “iceberg” em que se encontravam, isoladas de uma convivência social diversificada (outras “tribos”), os nossos pequenos avatares poderão enfrentar uma batalha inicial que é o preconceito das próprias instituições de ensino que os receberão.

Será um grande desafio para essas crianças se adequarem, mas, superada essa primeira fase, elas terão a oportunidade de serem aceitas, amadas e deverão compartilhar sua vida com as outras crianças. Aprenderão a cultivar valores mal compreendidos, a buscar meios de existir pela diferença e pelas limitações as quais elas não pediram para ter.

Creio que a educação inclusiva, ainda incompreendida por muitos, representa uma nova etapa no processo educacional que pretende ensinar o respeito mútuo e a cooperação. Todos estão colocados à prova: gestores, professores, funcionários de apoio, alunos, pais de alunos e comunidade.

Que os pequenos avatares derrotem os que não aceitam a diferença mostrando a maior arma que um ser humano pode possuir: o amor.

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

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