sexta-feira, 16 de julho de 2010

Diploma de jornalista

A cada ano, milhares de jovens enfrentam o dilema de escolher uma profissão. Testes de aptidão, conversa com profissionais experientes, pesquisa sobre as ofertas de emprego e uma cuidadosa análise da tendência do mundo do trabalho são alguns itens necessários para se evitar o arrependimento tardio pela escolha errada.

Escolha feita, o futuro profissional deve se dedicar aos estudos de nível superior e, ao final de quatro, cinco ou seis anos, receberá seu tão sonhado e precioso diploma, dando-lhe acesso à profissão desejada, certo?

Nem sempre. Para exercer a profissão de jornalista, por exemplo, até o momento não existe a obrigatoriedade do diploma. A decisão foi tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em 17 de junho de 2009, e representou um duro golpe aos jornalistas diplomados e também aos professores e estudantes de Jornalismo.

A boa notícia é que na última quarta-feira, 14, uma comissão especial da Câmara Federal aprovou relatório da PEC 386/09 (Proposta de Emenda Constitucional) que restabelece a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Ou seja, está chegando o momento do erro ser reparado.

O Jornalismo pertence à área de Comunicação Social que –, ao lado de cursos de Publicidade, Relações Públicas, Radialismo e Televisão, Cinema e outros – ocupa o 6º lugar entre as 12 profissões mais procuradas pelos estudantes brasileiros. As outras 11 profissões (por ordem de preferência) são: Medicina, Engenharia, Direito, Administração, Ciências Biológicas, Enfermagem, Letras, Educação Física, Pedagogia, Psicologia e Ciências da Computação. (http://portalenem.com.br/12-profissoes-mais-procuradas)

Para a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), a formação do jornalista deve ser “tanto teórica e cultural quanto técnica e ética”. E questiona: “Como e por que confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura com o direito de os jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija o mínimo de qualificação? Por que favorecer o poder desmedido dos proprietários das empresas de comunicação, os maiores beneficiários da não-exigência do diploma, os quais, a partir dela, transformam-se em donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por consequência, das consciências de todos os cidadãos?”.

Assim, caro leitor, o suado diploma de jornalista não é fruto de um simples desejo de status social. E sua exigência para exercer a profissão é o mínimo que a sociedade pode oferecer para obter em troca um produto de qualidade: a informação exata, coesa, ética pública e, acima de tudo, democrática. E para que os jovens continuem escolhendo essa área e se tornem jornalistas respeitosos e respeitados.

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

1 comentários:

Alexandre disse...

Pelo que se lê no site da FENAJ eles mesmos não exigem nem o primário completo de seus redatores.

De outro lado, Gay Talese diz: “Não acho que jornalista precisa de diploma. O principal é a curiosidade e a habilidade de perguntar a estranhos e conseguir que eles respondam a um estranho”

Saiba mais aqui: http://domaugostodamateria.wordpress.com