quinta-feira, 24 de junho de 2010

Soy loco por ti America

O que os países latino-americanos têm em comum? O leitor antenado na Copa do Mundo diria sem titubear: a boa campanha e classificação da maioria das equipes para as oitavas de final. É o que as principais concorrentes em transmissão de jogos da Copa, Globo e Band, têm repetido com insistência (embora elas divirjam quanto ao tratamento dado a Maradona, técnico da Argentina, sendo a Globo antipática e a Band simpática ao ídolo portenho).

Mas, há outras coisas em comum entre os países latino-americanos: uma história de colonização, revoltas e lutas por independência. Em décadas passadas (60 e 70), golpes de estado e governos ditatoriais, como no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. E na última década, a eleição de governos progressistas ou de esquerda, como Brasil, Venezuela, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e Nicarágua.

Tudo isso, somado ao desempenho das seleções latino-americanas na Copa 2010, contribui para aumentar o sentimento de irmandade com nossos vizinhos. Ainda que os governos estaduais, como o de São Paulo, não tenham se preparado para cumprir a Lei Federal 11.161, de 2005, que obriga a implantação de cursos de espanhol no Ensino Médio, que deveriam ter início em agosto próximo.

Enquanto não aprendemos hablar espanhol, comemoramos as conquistas dos governos progressistas, que buscam sua autonomia em relação à Nova Ordem, imposta pelos Estados Unidos e países ricos durante as décadas de 80 e 90. Já no começo desse século XXI, o receituário neoliberal nem sempre encontra eco nesses países, que optaram por uma política mais autônoma, nacionalista, de distribuição de renda, geração de empregos e combate à pobreza.

Para fazer frente ao discurso da grande mídia que tenta passar sempre uma imagem negativa dos governos latino-americanos, o cineasta Oliver Stone lançou o filme-documentário “Ao Sul da Fronteira”, que apresenta entrevistas com presidentes progressistas e as mudanças políticas vividas desde a eleição de Chávez, em 1998, na Venezuela. Segundo o roteirista Tareq Ali, “os meios de comunicação dos Estados Unidos e Europa atuam contra a América do Sul e todos os seus presidentes. Então decidimos fazer um filme que desafie todas essas campanhas. A ideia é mostrar ao público norte-americano, quem são esses presidentes para que possa decidir e formar sua própria opinião”.

Pois é, a grande mídia pode distorcer ou omitir os avanços dos governos progressistas, mas não pode esconder os maiores vexames dessa Copa até o momento: a desclassificação da França e da Itália. E o desenho que se forma apontando seleções latino-americanas paras as semi-finais ou finais...

Como diria Gilberto Gil (em homenagem a Che Guevara): “Soy loco por ti, America/soy loco por ti de amores” (com exceção dos Estados Unidos, é claro).

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

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