Nessa semana de Corpus Christi e de ataque israelense a barcos que levavam ajuda humanitária ao povo palestino na Faixa de Gaza, decidi pesquisar um pouco sobre o islamismo. Nas sempre insuficientes leituras, vi Maomé (ou Muhammad) como um homem habilidoso na arte da política de seu tempo (primeira metade do século VII), que soube ganhar adeptos, unir alguns inimigos e destruir os detratores. Após tornar-se líder em Medina, cidade que, em 622, o acolheu na Hégira (“fuga” ou “emigração”) e posteriormente aderiu ao islamismo, Maomé, em 630, reuniu um exército de 10.000 homens e marchou para Meca. Não houve derramamento de sangue, tudo se resolveu em acordos políticos. Em Meca, Maomé instituiu uma teocracia e destruiu ídolos na Kaaba (construção cúbica com cerca de 15m de altura que abriga a “Pedra Negra”, de 50cm de diâmetro, provavelmente um meteorito) e em outros pequenos santuários, já que o islamismo não venera estátuas e sim o Deus de Abraão (Alá).
Fato curioso nessa história é que, em 610, após receber a revelação do arcanjo Gabriel de que era o profeta de Deus, Maomé ficou atormentado, acreditando estar possuído por um “gênio” maligno (djiin, espírito associado a elementos da natureza). Ele teria sido reconfortado por sua esposa Cadija e pelo primo dela Waraqa, passando então a pregar as citações aos medinenses e depois a todo o povo árabe.
Após a morte de Maomé, suas citações foram reunidas num livro que passou a ser conhecido como Alcorão (“O Corão”, “a recitação”). O Alcorão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia, entre outros temas. Para os muçulmanos, o Alcorão é a palavra de Deus, sagrada e imutável, que fornece as respostas acerca das necessidades humanas diárias, tanto espirituais como materiais.
Aos muçulmanos é ensinado que Deus lhes enviou outros livros, tais como o livro de Ibrahim (“Abraão”, que se perdeu), a lei de Moisés (a Torá), os Salmos de David (o Zabûr) e o evangelho de Jesus (o Injil). O Alcorão descreve cristãos e judeus como "o povo do livro" (ahl al Kitâb). A crença no dia do julgamento e na vida após a morte também fazem parte da teologia islâmica.
Penso que tanto em semana sagrada aos cristãos católicos, com a realização da cerimônia de Corpus Christi (“Corpo de Cristo”, instituída no século XIII, pelo papa Urbano IV), como nas Marchas para Jesus (iniciada em 1987, em Londres, pelo pastor Roger Forster e mais três líderes religiosos), o que deve prevalecer é o respeito e a tolerância às diferenças, sejam religiosas, culturais ou étnicas.
Se as divergências políticas e de crenças, somadas ao fundamentalismo teocrático e à política sionista (ideologia do Estado Judeu), dão margem à guerra e ao ódio, então de nada valeram os ensinamentos de Cristo, os preceitos da Torá ou as citações de Maomé. Que tal sonharmos com uma Fraternidade Humana, como em Imagine, de John Lennon? Um mundo sem fome e sem desigualdade... And the world will be as one...
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
sexta-feira, 4 de junho de 2010
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