sexta-feira, 9 de abril de 2010

Oportunismo

Ser oportunista é aproveitar as oportunidades que a vida oferece. Isso no bom sentido... Há, porém, os oportunistas de outro tipo. São aqueles que se aproveitam de uma situação para obter vantagem (como na velha lei de Gerson: “O negócio é levar vantagem em tudo, certo?”).

No rol de oportunismos cotidianos, há aqueles pequenos e corriqueiros como: valer-se da distração de alguém na fila para passar adiante; com o carro, cortar caminho pelo posto de gasolina para converter à direita (como ocorre no posto BR, próximo ao viaduto de Itapevi); embolsar o troco errado a mais que o caixa devolveu; aproveitar-se da fragilidade de alguém para ganhar um “pontinho”; colar numa prova ou simplesmente assinar um trabalho em grupo do qual não houve participação etc.

Mas, não para por aí. Segundo Houaiss, há a derivação, por extensão de sentido e de uso pejorativo, o oportunismo como “comportamento de quem pauta sua conduta segundo as circunstâncias, de quem subordina seus princípios a interesses momentâneos”.

Esse tipo de oportunismo explica, infelizmente, o comportamento de milhares de professores que não aderiram à paralisação iniciada no dia 5 de março deste ano. Digo infelizmente porque, ao optar pelos interesses momentâneos, os fura-greve contribuíram não só para o fracasso do movimento como também sinalizaram ao governo que “estamos todos bem”, que o salário é o ideal (se não o melhor do Brasil), que o bônus mérito é uma ótima política de reconhecimento pelo trabalho docente, que as gratificações engrandecem (ou engordam) nossos salários, que as condições de trabalho (escolas bem equipadas com laboratórios, bibliotecas, anfiteatros) são excelentes para a boa qualidade de nossas aulas, que o PSDB está no caminho certo ao propagandear a boa qualidade do ensino e atacar os professores que aprenderam a dizer não...

O que mais dizer sobre esse tipo de oportunismo? Oportunismo de escolher a própria derrota como forma de atuação? Oportunismo de fazer de conta que “não é comigo”? Oportunismo de esperar que o outro faça por “mim”? Oportunismo de considerar a sua disciplina mais importante do que a dos colegas, pois não se discute nunca o mundo real e privilegia somente os conteúdos consagrados? Oportunismo de não tocar nos assuntos “chatos” e que envolvem comprometimento, como greve, luta sindical, disputa ideológica, política educacional, tendências pedagógicas, organização dos professores e organização dos alunos (em grêmios verdadeiros e não mero oportunismo para “engordar” o bônus do ano seguinte)?

Por fim, para deixar de ser oportunista é preciso fazer auto-reflexão e perguntar-se: Qual é o meu papel na sociedade? Qual é a importância das coisas que faço enquanto profissional? Como os outros me veem naquilo que faço? Minha conduta condiz com aquilo em que acredito, defendo e pratico? E o mais difícil: que posso fazer para deixar de ser oportunista? Reflitamos...

Elioenai Piovezan
Jornalista e professor

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