Notícias do dia 1º de abril: “Governo anuncia redução do preço da gasolina para 50 centavos o litro” ou “Em seu último ato de governo, Serra concede reajuste de 35% e revoga leis que prejudicam professores”.
Quem não gostaria de ler essas notícias, ein? O problema é que elas não são verdadeiras (assim como muitas promessas de candidatos em época de eleição). Mas a “brincadeira” de mentir no dia 1º de abril é bastante antiga: teria surgido na França, no século XVI, quando o Ano Novo era festejado no dia 25 de março (início da primavera) e as festas duravam uma semana, terminando no dia 1º de abril. Em 1564, com a adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1º de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Já em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos. No Brasil, as mentiras do 1º de abril já foram praticadas com maior frequência e hoje perderam sua força. Até porque o nosso 1º de abril ficou marcado por um fato terrível no ano de 1964, quando os militares, apoiados pela elite conservadora da época, rasgaram a Constituição Federal e depuseram o presidente legitimamente eleito João Goulart, o Jango.
Não era mentira. O país caía em desgraça e tinha início um período que duraria 20 anos, representando os anos mais sombrios que o Brasil conheceu, com falta de liberdade, cerceamento de direitos, exílio, prisões arbitrárias, torturas inimagináveis, desaparecimentos inexplicáveis e mortes covardes.
Tudo isso financiado por grandes empresários de diversos setores e com o aval e acompanhamento do governo dos Estados Unidos, por meio da agência secreta CIA.
Bem, passados os anos de chumbo da Ditadura Militar, um episódio recente fez muita gente se lembrar dela. Foi na sexta passada, 26, quando professores em greve se dirigiam em passeata até o Palácio dos Bandeirantes (para tentar dialogar com o governo Serra) e foram recebidos a balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio. O local virou uma praça de guerra. E a velha palavra de ordem voltou com força às gargantas desesperadas: “Abaixo a repressão, professor não é ladrão!”.
O governador Serra obviamente não ouviu os gritos dos docentes. Ele estava muito ocupado, no interior do Estado, realizando suas últimas reuniões para obter apoio à sua candidatura.
E agora na semana do 1º de abril, vê-se que as mentiras desse governo não cabem num único dia, pois as propagandas veiculadas à exaustão no horário nobre de todos os canais abertos mostram, por exemplo, um pai de aluno dizendo que “o ensino é dez, o professor é dez”. E ainda professores sorridentes com bônus, aumento de salário, escolas equipadas etc. Pois é, não é à toa que Serra deixa o governo com uma nota 6,6. Com certeza um governo medíocre, que sacrifica o dinheiro do cidadão por meio de pedágios e que trata o funcionalismo público com truculência e desrespeito.
Creio o ato do “bota-fora do Serra”, no dia 31, na avenida Paulista, deixou isso bem claro: o que foi ruim para São Paulo não queremos para o Brasil.
Ou Serra foi o melhor governador que o Brasil já teve? Calma, gente, mentirinha...
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário