O filme “O massacre da serra elétrica” (direção de Tobe Hooper, 1974), considerado um classic cult (produto de arte que possui um grupo de admiradores dedicados, mesmo após não estar mais em evidência), foi uma produção de baixíssimo orçamento (150 mil dólares) e com apenas poucos segundos de cenas de sangue. A violência (embora o título conote um banho sanguinário) fica por conta do comportamento psicótico da família Sawer, principalmente Leatherface (face de couro), que usa máscara de pele do rosto de suas vítimas e carrega uma motosserra.
Sabe-se que o filme foi inspirado em fatos reais. Em 1973, a polícia do Texas encontrou na casa da família Sawer, onde funcionava um matadouro, restos de 33 pessoas. A descoberta assustadora chocou os estadunidenses e o episódio passou a ser considerado a maior chacina da história daquele país.
O mais incrível desse fato é que o massacre vinha acontecendo há vários anos e ninguém sabia do destino dos desaparecidos.
Já aqui em São Paulo, também ocorre uma espécie de massacre. Trata-se de “O massacre do Serra elétrico”, sem derramamento de sangue, mas com muita prepotência, arrogância e insensibilidade, comportamentos típicos de governos que se travestem de democratas ou social-democratas.
O massacre vem acontecendo principalmente no setor do funcionalismo público, que não recebe reajuste real de salário há vários anos e ainda enfrenta uma sucessão de leis e medidas perversas, que restringem direitos e torna a vida de profissionais como professores, por exemplo, num verdadeiro inferno. Haja vista a greve de professores, supervisores e diretores de escolas que já dura três semanas (podendo estender-se até abril) e o governo não abre negociações. Pelo contrário, vale-se da mídia eletrônica e impressa para atacar o movimento grevista, tentando diminuí-lo e desmoralizá-lo.
Na semana que vem, Serra deixa o Palácio dos Bandeirantes para se aventurar na disputa presidencial. Para recebê-lo com tapete vermelho e louros, os donos de grandes meios de comunicação, numa clara demonstração de simpatia pela candidatura tucana, realizam uma verdadeira sucessão de ataques, diretos ou indiretos, ao governo Lula e a Dilma (pré-candidata do PT à presidência).
O massacre do Serra elétrico continua, agora numa verdadeira operação “Tempestade no Deserto” em sua versão tupiniquim: “Tempestade no Cerrado”. A ordem nas redações seria: fogo à vontade no inimigo. O fogo são matérias negativas (geralmente sem substância) ou requentadas, com o intuito de desmoralizar o atual governo e, consequentemente, fortalecer a candidatura tucana.
Não perca os próximos capítulos...
Elioenai Piovezan
Jornalista e professor
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